
Durante
os últimos dois anos e meio, a segurança do transporte público foi
questionada, indicando o setor como um “vilão” recorrente do aumento de
casos de Covid-19. A aglomeração de pessoas em espaços restritos passava
a impressão de que o segmento era um dos principais responsáveis pelo
aumento de contágios. Ao observar a situação com um viés de
retrospectiva, será que esse raciocínio aplicado em meio à pandemia estava correto: era possível atribuir os aumentos de contágio ao transporte coletivo?
“Muito se atribuía à transmissibilidade da Covid a espaços fechados com
grande aglomeração de pessoas, criando uma relação de causa e efeito com o
transporte público. No acompanhamento da atividade, estudos científicos
estrangeiros com levantamentos de dados foram feitos, até por não termos essa
tradição de pesquisas no Brasil, e mostraram o contrário”, afirma o advogado
Mestre em Direito e com atuação na área de transporte coletivo Leonardo
Agostini.
Pesquisas
de diversos países, como França, Alemanha, Itália, Japão e Estados
Unidos, indicaram que, ao contrário do que se imaginava, a probabilidade
de infecções era mais comum em bares, encontros familiares ou reuniões
de trabalho do que no transporte público, ressaltando a segurança do
transporte público. Na avaliação de Agostini, esse pode ser um dos
principais aprendizados trazidos pela pandemia.
“Comprovou-se que houve baixa transmissibilidade nos modais de
transporte. O usuário deve ficar mais preocupado nos locais em que ele baixa a
guarda, está mais relaxado, em que abraça as pessoas e fala mais alto, como as comemorações.
Há maior chance de se infectar nesta situação do que no transporte coletivo”,
ressalta o advogado.
